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Contos do autor

Vendeta

Ele fora ao teatro porque nada poderia fazer, se tivesse algum compromisso seria exclusivamente com a filha, Lisete, que dera para chamá-lo, pois a dor não a abandonava. Quanto à mulher, subira ao promontório e se atirara. Agora, o corpo poderia ser visto içado pelo dente de um rochedo, as costelas Continuar lendo

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O livro de tule

Poderia ter sido em algum dia, que não este, aquela mesma profusão de amizade a qual é um bálsamo para o sofrimento. Mas não, é necessário que este último permaneça, como uma flâmula, postada entre os zimbros e o mirtilo, impedindo-os de receber a luz do sol. Para quem, como eu, acreditei verdadeiramente neste idílio – a página nunca alcançada aguardando, no entanto, as palavras que dizem de si o único desejo, encontrar em alguém pelo menos um indício de promessa Continuar lendo

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As pernas de Proteus

Seria uma benção se amputassem minhas pernas, de modo que o restante do corpo ficasse livre deste cansaço o qual me ata a terra. Ultimamente, o esforço de andar é apenas um de todos os males físicos que, progressivamente, começam seu lento trabalho de levar-me, um dia, à total imobilidade. Acredito que esta será minha salvação. Cada uma das pernas é um rugoso tronco de árvore, escondido da humanidade pela arte dos alfaiates e sapateiros, aliás, os que mais se apiedam de mim. Em todas as vezes, precisam medir novamente, pois minhas pernas não têm limite para o crescimento, pode ser que daí a alguns anos meus lábios toquem a cabeleira do fícus centenário no pátio da igreja. Por sinal, da nave da paróquia Continuar lendo

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A filha

Havia esquecido que a terra fora lavrada com extremo cui­dado por mãos fortes de pessoas não tão fortes de espírito, curvadas pela submissão ou fé, não posso dizer, por que a fé não é uma forma de dependência a alguma coisa, seja homem, pedra ou carvalho? Quando as cabeças se levantaram Continuar lendo

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As velhas

O quanto sobrou de Eli no rosto de Francisca, podemos nos perguntar, se postamo-nos numa dessas janelas verdes e olhamos a pequena senhora curvada, como uma antiga caixa de espírito, parada diante do espelho? Francisca espera que a irmã termine de arrumar os bandós brancos, aquecidos pelo xale empoeirado e o chapéu de fitas Continuar lendo

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Teoria

Tornei-me homem muito mais tarde do que o senso comum pode esperar. Se a evolução de um homem o leva a uma saú­de ignorada – qual indivíduo forte sabe de sua fortaleza? –, o pro­gresso de uma doença psíquica não acarreta danos consideráveis ao entendimento do que é a liberdade. Um doente psíquico crê piamente, considera, de maneira pia, que seu estado seja a melhor saúde. Estágio esse, diga-se de Continuar lendo

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