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Veredas do grande conto: a descoberta do sertão em Guimarães Rosa

Veredas do grande conto: a descoberta do sertão em Guimarães Rosa, do escritor e doutor em letras Leonardo Vieira de Almeida, é um estudo do opus magnum de João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas, que visa estabelecer inter-relações com os relatos dos cronistas da América e do conto enquanto gênero. Assim, mediante a análise de duas frases fundamentais de Rosa, ambas pronunciadas em seu célebre diálogo com Günter Lorenz Continuar lendo

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O outro lado do sol

Antologia de contos organizada pelo autor e publicada pela Editora Ibis Libris, em 2008. Pode ser adquirido no site da Libre.

ORELHA

Leonardo Vieira de Almeida

Definir o que é conto nunca foi das tarefas mais fáceis. Leve-se em conta a frase emblemática de Mário de Andrade, na crônica datada de 13 de setembro de 1938, intitulada “Contos e contistas”, onde comenta: “Em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome de conto”. O escritor paulista quer entender que esse gênero literário, um dos mais difíceis, por sinal, não se reduz a receitas. Elege como seus contistas de cabeceira Boccaccio, Hoffmann, Flaubert, Maupassant, Machado de Assis, Kipling. Em cada um desses artistas da prosa, o autor dos Contos novos encontra as diversas formas pelas quais se expressa o conto: o fantástico, o filosófico, o ensaístico, o sobrenatural etc.

Como contista, surgiu-me a idéia de reunir artistas que partilhassem um gosto em comum, o desejo de contar histórias. Esta vontade, que vem desde o homem pré-histórico, manifestada na arte rupestre e chegando hoje, no século XXI, à cultura dos blogs, possibilitou o encontro dos quatorze autores desta antologia, fruto de um trabalho de três anos. Aulas tanto presenciais quanto à distância, em que se analisaram contos de autores de distintas épocas, algumas teorias; exercícios, tentativas, correções, discussões e, afinal, o resultado do esforço, este O outro lado do sol. Acredito, acima de tudo, que a prática do contar, ocorrida nesse período, se casou a uma prática do viver.

O que é conto? – se pergunta Mário de Andrade. O que é vida? – me pergunto. Na esquina dessas duas questões, fico com a lúcida resposta de Julio Cortázar: o conto “se move nesse plano do homem onde a vida e a expressão escrita dessa vida travam uma batalha fraternal”.


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A flor no rosto

Segundo livro de contos do autor, publicado em 2010. Pode ser adquirido no site da Editora Multifoco.

PREFÁCIO

Marcus Alexandre Motta

Um conto, a forma da solidão. Alguns, a conduta triste da escrita. Um conjunto, a cifra musical que soa no isolamento da ante­câmara íntima de um “cantor”. Há sempre superioridade do conto em relação a qualquer romance; não se pode esquecer o ensina­mento de Machado de Assis. Há contos do qual nenhum efeito se põe maior. Há contos e “cantores”. Há, contudo, contos “leonardos”; maiores do que a causa de contar. Maiores uma vez que a superiori­dade dos contos “leonardos” não pode dar o que não tem.

Não dar o que não tem; eis o que não excede e, por conseguin­te, é por si superado. Se nós leitores, por razões supra e por outras, admitimos que Leonardo Vieira de Almeida tenha feito criaturas de papel e circunstâncias impressas, manifestamos que tenha fei­to o maior número. Nem se maravilhe o leitor que eu esteja para além das razões de um conto, que por isso mesmo se deva admi­rar a excelência do “cantor”, a qual vence os olhos dos leitores com aquilo que supera a mera intelectualidade: contar.

A primeira coisa e o primeiro segredo dos contos de Leonardo é que eles afiançam o acorde narrativo que acontece quando a consciência do “cantor” recebe a tarefa literária de reconhecer que nada e ninguém pode se manter encoberto face ao que a cada vez mais se declina. O leitor se perguntará, lendo os contos, mas que coisa é essa que se declina cada vez mais? Direi, antecipando tal como um alguém que conta, timidamente, uma história antes que outro a leia: a solidão.

Trata-se, portanto, daquilo que desde o início dos tempos literá­rios, como também muito mais agora, nunca se alcançou, por estar precisamente ao lado, em cima, por baixo, colado, na frente, atrás. Quem considera existente o que traz em si, não se contrapõe aos contos de Leonardo, antes apreende uma identidade inexistente que o vive. Pois a força da solidão e, mais ainda, a sua índole literária, consiste em estabelecer, suportar o que em si vive sem completo direito de se fazer existente que não seja literariamente.

Nesse sentido, os contos de Leonardo Vieira de Almeida pensam o mais imediato por que o ama. E esse mais imediato, a solidão, sente moças loiras, flores, noites, coisas ordinárias, com­panheiros, terra, ventos, animais, mães, pais e amantes como im­bricados no umbigo de muitos outros dias literários; cujas histó­rias são andantes em trilhas que assaltam de fora, conforme uma única força capaz de senti-las se manifesta.

É por esse motivo que a solidão é a única flor a nascer no rosto das páginas. A solidão sem direito a existir conforme é; é um conto a contar nesse conjunto de contos, ou livro, e que por isso precisa de muitos personagens e circunstâncias. Um conto é só e só como um sujeito a estampar, no semblante, a íntima e sensível improcedência do contar coerentemente — pois vive. Na solidão, ou conto, ou sujeito, muitas histórias ameaçam aquela que se conta. Há na es­crita de Leonardo, portanto, contos que não se arranjam em comu­nhão com o seu tema, tempo, espaço e motivos. Isso acontece, com toda imediata paciência daquele estado de espírito, para defrontar e vencer uma falsa-ideia-feita. Aquela que precisa apagar caminhos e forçar a narração a passar tocada pela coerência.

O conto maior é Leonardo escritor e, como tal, a face do nada integral, a solidão. Esta que contém tudo em sua indivisa simplici­dade, cuja riqueza de situações e figuras nunca prescrevem o seu espírito. É a solidão a intimidade e a interioridade da natureza de um conto denominado Leonardo Vieira de Almeida, que neste livro é um aqui: o personagem puro. É em torno dele que as apre­sentações literárias se posicionam: então, surgem, bruscamente, os olhos secos de lágrimas e o isolamento de uma flor, o indiví­duo, como nos diria Proust; e ambos, bruscamente, desaparecem. É essa a medida da solidão que avisa quando mira o homem de frente uma só vez em cada conto.

Ao leitor deste livro é cabível desconsiderar todas as linhas acima. Mesmo não as lendo, sentirá, sem o meu aspecto, a bele­za, palavra imprópria nos dias de hoje, que sem consciência de si não suporta a morte e requer sempre o contar. Dessa maneira, o livro de contos de Leonardo Vieira de Almeida é o desejo da be­leza em querer ser o signo de um acordo do real consigo mesmo, como diria Hegel. Logo, ao leitor cabe apenas viver a inquietação de sentir a solidão literária a se ver naquela que está como espelho nos olhos de alguém que estará lendo.

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Os que estão aí

Primeiro livro de contos do autor, publicado pela Ibis Libris, em 2002. Pode ser adquirido no site da Libre.

TEXTO DA QUARTA CAPA

Marco Lucchesi

Leonardo Vieira de Almeida encontra na prosa poética a sua melhor expressão. Como se houvesse algo de um Dino Campana, nas metáforas itinerantes, na vertigem das comparações, insaciavelmente convocadas Continuar lendo

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