As pernas de Proteus

Seria uma benção se amputassem minhas pernas, de modo que o restante do corpo ficasse livre deste cansaço o qual me ata a terra. Ultimamente, o esforço de andar é apenas um de todos os males físicos que, progressivamente, começam seu lento trabalho de levar-me, um dia, à total imobilidade. Acredito que esta será minha salvação. Cada uma das pernas é um rugoso tronco de árvore, escondido da humanidade pela arte dos alfaiates e sapateiros, aliás, os que mais se apiedam de mim. Em todas as vezes, precisam medir novamente, pois minhas pernas não têm limite para o crescimento, pode ser que daí a alguns anos meus lábios toquem a cabeleira do fícus centenário no pátio da igreja. Por sinal, da nave da paróquia Continuar lendo

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A cartografia mítica de Yoknapatawpha

A cartografia mítica de Yoknapatawpha

Ensaio publicado nos Cadernos do CNLF (CiFEFil), v. X, em 2006.

Resumo: Na pequena cidade de Jefferson, ao sul dos Estados Unidos, William Faulkner descobre o núcleo vital de seus assuntos literários. A partir da criação do “Yoknapatawpha County”, o autor se torna responsável por uma das mais importantes obras artísticas do século XX. Buscando as raízes profundas da formação da sociedade sulista Continuar lendo

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Sócrates ou o pai: o efeito parodístico em “Teoria do medalhão”

Sócrates ou pai_o efeito parodístico em Teoria do Medalhão

Ensaio publicado nos Anais do X Congresso Internacional Abralic: lugares dos discursos, em 2006.

Resumo: Dentre os inúmeros gêneros narrativos que Machado de Assis domina como escritor, o conto filosófico é um dos que mais atestam seu tributo como “desleitor” da tradição filosófica. Em “Teoria do medalhão”, conto que pertence ao volume Papéis avulsos, uma teoria da opinião comum Continuar lendo

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A filha

Havia esquecido que a terra fora lavrada com extremo cui­dado por mãos fortes de pessoas não tão fortes de espírito, curvadas pela submissão ou fé, não posso dizer, por que a fé não é uma forma de dependência a alguma coisa, seja homem, pedra ou carvalho? Quando as cabeças se levantaram Continuar lendo

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O pacto nas Veredas-Mortas: realidade poética e esforço de interpretação

O pacto nas Veredas-Mortas: realidade poética e esforço de interpretação

Ensaio publicado na revista Graphos, João Pessoa, edição especial, 2006.

Resumo: No universo plurissignificativo de Grande Sertão: Veredas, a força que move o pactário não é apenas a de um sujeito que, em nível semântico, procura a obtenção de um conhecimento ou a superação do humano. Riobaldo, questionando sobre a existência de Deus e do Diabo, faz dessa dúvida Continuar lendo

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Machado de Assis e a literatura vitoriana: notas de pesquisa sobre autoria, originalidade e plágio

Machado de Assis e a literatura vitoriana: notas de pesquisa sobre autoria, originalidade e plágio

Este texto foi escrito por João Cezar de Castro Rocha graças a uma bolsa de pesquisa, concedida pela British Academy para o desenvolvimento do projeto “Machado de Assis: A (Critical) Reader of the British Tradition”, Continuar lendo

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Olhar estrangeiro, olhar do descobrimento: a questão do outro em “Um moço muito branco”

Olhar estrangeiro, olhar do descobrimento: a questão do outro em “Um moço muito branco”

Emsaio publicado em Vínculos, periódico do Departamento de Comunicação e Letras, da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES, v. 9, em 2009.

RESUMO: A imagem do estrangeiro possui papel fundamental na obra de João Guimarães Rosa, questão que pode ser problematizada na seguinte pergunta: de que modo o outro serve de mediador entre linguagens? Em “Um moço branco”, conto que integra o volume Primeiras estórias, a comarca de Serro Frio é abalada pelo surgimento de um rapaz Continuar lendo

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